Livros

 


Sobre Fotografia
. Susan Sontag. Companhia das Letras, São Paulo. 2004. 224p.

Os sete ensaios de Sobre fotografia tornaram-se clássicos pela originalidade com que esmiúçam a nova ética da visão, inaugurada com o advento da câmera fotográfica. Sontag discorre sobre um mundo em que as relações humanas passaram a ser mediadas por imagens: neste “mundo-imagem”, como diz a autora, a fotografia transita entre o Belo e o Verdadeiro, a arte pictórica e o documento social. Servindo-se ora de um ora de outro, ela reúne ambigüidades que geram conseqüências sociais tão nobres quanto nocivas. Sontag disserta não apenas sobre a história da fotografia, mas sobre a história vista pela fotografia, desvelando um ocidente que se deslumbra e se entedia consigo próprio através das imagens.

 

Diante da dor dos outros. Susan Sontag. Companhia das Letras. São Paulo. 2003. 107p.

Imagens da dor e da guerra são hoje apresentadas diariamente pelos meios de comunicação. O que provocam exatamente? Terão perdido o poder de nos chocar? Estamos insensibilizados pelo bombardeio de imagens? Susan Sontag trata neste livro sobre o efeito das imagens de sofrimento em nossas vidas, traçando a evolução dessa iconografia desde as pinturas de Francisco de Goya (1764-1828), num percurso que passa pelas fotos dos campos de concentração nazistas e pela Guerra do Vietnã, chegando até as imagens da destruição do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Diante da dor dos outros levanta questões, mais do que as responde. Das reflexões que suscita, contudo, emerge uma certeza: a relevância dessas imagens depende, em última instância, de como nós, espectadores, as encaramos.

 

Filosofia da caixa preta. Villém Flusser. Relume Dumará. Rio de Janeiro. 2003. 82p.

Este ensaio resume conferências feitas na Alemanha e na França. A reação do público foi dividida, porém intensa. Flusser parte da hipótese de que seria possível observar duas revoluções fundamentais na estrutura cultural: a primeira, que ocorreu aproximadamente em meados do segundo milênio AC, pode ser captada sob o rótulo “invenção da escrita linear”, e inaugura a história propriamente dita; a segunda, que ocorre atualmente, pode ser captada sob o rótulo “invenção das imagens técnicas”, e inaugura um modo de ser ainda dificilmente definível. A hipótese admite que outras revoluções possam ter ocorrido em passado mais remoto, mas sugere que elas nos escapam. A intenção que move este ensaio é contribuir para um diálogo filosófico sobre o aparelho em função do qual vive a atualidade, tomando por pretexto o tema fotografia.

 

A câmara clara. Roland Barthes. Nova Fronteira. Rio de Janeiro. 1984. 185p.

Roland Barthes estabelece neste livro uma correlação entre dois processos óticos de reprodução da imagem, a câmara clara, em que a imagem é copiada pela mão do homem, e a câmara escura, em que ela é reproduzida mecanicamente sem a interferência humana. E o faz para mostrar que sem a intervenção pessoal, subjetiva, do observador, que pode ver nela muito mais do que o registro realista, ou a mensagem codificada, a fotografia ficaria limitada ao registro documental. A câmara clara é o último livro de Roland Barthes, publicado poucos dias antes de sua morte, em março de 1980, vítima de um atropelamento.

 

O óbvio e o obtuso. Roland Barthes. Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 1990. 288p.

Antes de morrer prematuramente em 1980, Roland Barthes manifestou desejo de publicar em livro seus ensaios críticos dispersos, que apresentam reflexões sobre os sentidos dos signos. Em O óbvio e o obtuso, foram reunidos os estudos sobre a escritura do visível (fotografia, cinema, pintura, teatro) e outros sobre música, obedecendo-se sua ordem cronológica. Barthes parte de um questionamento sobre o conteúdo da mensagem fotográfica, discorre com originalidade sobre o que ela apresenta em termos de conotação e denotação e chega aos conceitos de óbvio e obtuso a partir de análise de fotogramas de filmes de Eisenstein.

 

Proust e a fotografia. Brassaï. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro. 2005. 165p.

A fotografia desempenha papel decisivo nos mil dramas que compõem Em busca do tempo perdido. Brassaï, fotógrafo, revela-se aqui também um atento e minucioso observador da literatura. Partindo do fato notório de que Marcel Proust foi um apaixonado por essa arte, Brassaï vê em sua técnica narrativa mudanças de perspectiva, de ângulo óptico, de enquadramentos, e mostra que foi na fotografia – ela também nascida do desejo de deter o instante e fixá-lo eternamente – que Proust encontrou sua melhor aliada.

 

Diálogo com la fotografia. Paul Hill e Thomas Cooper. Editorial Gustavo Gili, Barcelona, 2ª ed. 2003. (1ª edição: 1980), 373p.

Para o campo da fotografia, o século XX foi uma época de experimentação e mudanças. Para explorar a essência da experiência fotográfica, dois jovens fotógrafos, Paul Hill e Thomas Cooper, entrevistaram vários homens e mulheres que figuraram entre os mestres e os vanguardistas na fotografia. As entrevistas do livro, publicadas anteriormente na revista européia Camera, cobrem uma grande variedade de temas, tão diversos e interessantes como as próprias pessoas entrevistadas. Reunidas em forma de livro, as entrevistas constituem uma história oral da fotografia: entre os 21 fotógrafos entrevistados figuram Cecil Beaton, Brassaï, Wynn Bullock, Henri Cartier-Bresson, Imogen Cunningham, Eugene Smith, Laura Gilpin, André Kertész, Beaumont Newhall, Elliot Porter, Man Ray, Paul Strand, Brett Weston e Minor White.

Em suas próprias e espontâneas palavras, estes fotógrafos, cada um representando uma especialidade distinta – retratos, abstrações, reportagens, naturezas mortas, moda – recordam seus começos no meio, suas frustrações e seus êxitos, assim como o efeito que os acontecimentos mundiais exerceram sobre a sua obra.

 

O fotógrafo (romance). Cristóvão Tezza. Editora Rocco, Rio de Janeiro. 2004. 223p.

O longo dia de um fotógrafo contratado para fotografar secretamente uma jovem é o centro do romance de Cristóvão Tezza. Em crise conjugal, o fotógrafo mergulha no seu projeto como quem tenta salvar a própria vida do caos e da falta de sentido. A ação se passa em Curitiba, em 2002, ano de eleições presidenciais. Em torno do fotógrafo, outros pontos de vista vão dando os contrapontos da ação, no mesmo dia da narrativa: sua mulher Lídia, apaixonada pelo professor Duarte, que é casado com Mara, que por sua vez é a analista da jovem Íris, a modelo fotografada. Outras figuras em segundo plano – Joaquim, o amante da modelo; o jovem Danton, poeta apaixonado por ela; o pai do fotógrafo e sua mulher; um traficante de drogas; um candidato a deputado, que também contratou o fotógrafo – vivem pequenas coincidências e semelhanças de olhares e reflexões que se cruzam.

Neste círculo de pessoas que se desconhecem, sob um poderoso fio de suspense que sustenta o dia do fotógrafo, o romance faz uma densa reflexão ficcional sobre a crise de uma classe média insegura de seus valores.

 

Fotografia e viagem – entre a natureza e o artifício. Antonio Fatorelli. Relume Dumará, Rio de Janeiro. 2003. 180p.

De um lado a descoberta da fotografia em 1839; de outro a emergência de novos regimes de subjetividade surgidos com a modernidade, em períodos sucessivos e distintos: 1870/90, 1920/30, 1980/90. Na relação diferencial entre homem e técnica e entre corpo e máquina, que distingue esses períodos, delineia-se a questão central deste livro. O título, Fotografia e Viagem – entre a natureza e o artifício, sugere ao leitor que uma abordagem múltipla pode apagar as tradicionais fronteiras entre as funções da fotografia. Não é casual, portanto, a maneira como o autor faz convergir pontos programáticos aparentemente irreconciliáveis. Situados entre a representação verdadeira e a ficção, movimentos como o purismo e a fotografia composta, por exemplo, revelam suas singularidades ao mesmo tempo que são apreendidos como tramas de uma rede cultural mais complexa.

 

Fotojornalismo – introdução à história, às técnicas e à linguagem da fotografia na imprensa. Jorge Pedro Sousa. Letras Contemporâneas, Florianópolis. 2004. 124p.

O fotojornalismo é uma atividade singular que usa a fotografia como um veículo de informação, análise e de opinião sobre a vida humana e suas conseqüências. A fotografia jornalística mostra, revela, expõe, denuncia, opina. Dá informação e credibilidade à informação textual. Este livro é dedicado a todos aqueles que desejam compreender e dominar os princípios básicos do fotojornalismo, profissão que há mais de um século tem fornecido à humanidade a capacidade de se rever a si mesma e de contemplar representações do mundo através de imagens chocantes, irônicas, denunciantes, empáticas ou simplesmente informativas.

 

História crítica do fotojornalismo ocidental. Jorge Pedro de Sousa. Argos, Chapecó. 2004. 255p.

 

 

 

Por una función crítica de la fotografía de prensa. Pepe Baeza. Editorial Gustavo Gili, S.A. Barcelona 2001. 180p.

 

 

 

O Brasil na fotografía oitocentista. Pedro Karp Vasquez. Metalivros Editora, São Paulo. 2003. 296p.

 

 

 

A fotografia no império. Pedro Karp Vasquez. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro. 2002. 72p.

Um novo meio de expressão para uma nova nação. Em janeiro de 1840, o Brasil torna-se o primeiro país latino-americano a conhecer a daguerreotipia. Com a bênção de Dom Pedro II, o país mantém-se em posição de destaque no cenário fotográfico internacional, com as transformações políticas e sociais sendo registradas pelas novas técnicas.

 

O relógio de ver. Luis Carlos Felizardo. Edição do Autor. Porto Alegre, 2004. 131 p.

O relógio de ver reúne onze textos sobre fotografia escritos entre 1987 e 1999. São reflexões sobrea linguagem fotográfica, sobre a questão dos direitos autorais e sobre a obra de outros fotógrafos, além de uma breve antologia de citações que abrange Henri Cartier-Bresson a Eugene Smith, passando por Karl Kraus, Jean Cocteau e Luis Fernando Veríssimo. Segundo Simoneta Persichetti, "não são textos dogmáticos e fechados mas, na tradição da melhor filosofia, textos que indagam, que desmoronam cetezas.

 

Fotografia e história. Boris Kossoy. Ateliê Editorial, São Paulo. 2001. 164p.

Aborda as múltiplas relações entre o documento fotográfico e o complexo de informações do mundo visível. Classificando e definindo vertentes de pesquisas históricas que derivam das fontes fotográficas - a história própria da fotografia e a iconografia fotográfica do passado - o autor reconstitui o processo que originou a fotografia em determinado local e época através da detecção de seus elementos constitutivos e estabelece parâmetros para o estudo das imagens. O livro propõe um conjunto de princípios e uma metodologia para a pesquisa e a análise iconográfica, preenchendo um vazio teórico no campo da iconografia, entendida como disciplina auxiliar da História.

 

Realidades e ficções na trama fotográfica. Boris Kossoy, Ateliê Editorial, São Paulo. 2000. 150p.

Segundo Kossoy, a imagem fotográfica contém em si realidades e ficções. Refletindo sobre os mecanismos mentais que regem a construção da representação, do signo (produção) e a construção da interpretação (recepção), o autor chama a atenção para uma característica encoberta, nebulosa, inerente da imagem fotográfica que é o processo de construção de realidade - e portanto de ficções - que ela permite e que se estriba em sua ambígua e definitiva condição de documento/representação.

 

O Clube do bangue bangue. Greg Marinovich e João Silva. Companhia das Letras. São Paulo, 2003. 336p.

O período compreendido entre a libertação de Nelson Mandela, em 1990, e sua eleição para presidente da África do Sul, em 94, foi um dos mais violentos da história do país. Com o apoio do governo, os separatistas da etnia zulu se opuseram aos seguidores de Mandela e deflagraram uma monstruosa guerra civil. Escalada por jornais locais e agências internacionais, uma equipe de repórteres fotográficos fazia expedições até as cidades-dormitórios da periferia de Joanesburgo para cobrir os conflitos. Unidos pela terrível experiência de registrar os massacres, os fotógrafos formaram um grupo de amigos - e quatro deles, de maior destaque, ganharam um apelido de uma revista sul-africana: Clube do Bangue-Bangue, rótulo que mais tarde assumiriam como legítimo. Este relato de Marinovich e João Silva ajuda a entender o grupo em seus lances mais atrozes e comprova que o dia a dia do correspondente de guerra não é feito de glamour, mas de uma realidade que se imprime na memória, mais forte que qualquer negativo fotográfico.

 

Fotografia. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (nº27). Maria Inês Turazzi (organizadora). IPHAN/MEC. Brasília, 1998. 368p.

Coletânea de artigos de autores como Nadja Peregrino, Pedro Karp Vasquez, José Mindlin, Helouise Costa, Annateresa Fabris e Boris Kossoy, entre outros, tratando de temas históricos, estéticos e regionais da fotografia no Brasil e no mundo.

 

Fotografia moderna no Brasil. Helouise Costa e Renato Rodrigues da Silva. Cosac Naify, São Paulo. 2004. 250p.

Os autores denominam fotografia moderna uma certa concepção de fotografia que nasce no começo deste século, no seio das vanguardas européias e que no Brasil tomou corpo sobretudo no movimento fotoclubista, a partir de meados da década de 1940, chegando à expressão máxima na obra de Geraldo de Barros e José Oiticica Filho. Trata-se de uma fotografia de feições contemporâneas, urbana e cosmopolita, direta ou indiretamente vinculada ao construtivismo e ao concretismo no seu gosto pela abstração geometrizante, pelo incessante experimentalismo, pela invenção estética, pela concepção bidimensional da representação e pelo despudor em interferir na imagem (através do retoque, da colagem, da solarização, etc.).

 

Historia da fotorreportagem no Brasil. Joaquim Marçal Ferreira de Andrade. ed. Campus, Rio de Janeiro. 2003. 512p.

Este livro possibilita diversas leituras. Aborda sob a perspectiva da História os principais aspectos técnicos relacionados à fotografia, imprensa ilustrada e questões referentes ao design da página e aos processos de criação e de impressão das imagens. Trata também das primeiras ocorrências declaradas da fotografia na imprensa ilustrada do Rio de Janeiro no século XIX, desde o período da sua descoberta até o final dos anos 1870. Isto porque a partir dos anos 1880, como decorrência da introdução dos processos de reprodução fotomecânica a meio-tom em diversos países europeus e nos EUA, a imprensa ilustrada inicia uma nova fase. Nesse período a fotorreportagem começa a tomar forma nos países mais avançados enquanto aqui, no Brasil, os progressos se davam em ritmo mais lento.

 

O fotográfico. Etienne Samain (org.). Ed. SENAC, São Paulo. 2005 (2ª ed.). 352p.

Um livro que reúne vinte e seis trabalhos inéditos de pesquisadores brasileiros e europeus em torno de quatro temáticas: fotografia e suas histórias; fotografia e os olhares sobre a cultura; fotografia e seus tentáculos, e fotografia, do presente ao futuro. Segundo o autor, "O Fotográfico não é uma compilação de reflexões sobre a fotografia e, sim, um tear e um panorama reflexivo a respeito do que ela, voluntariamente, deixa de nos mostrar e que, ao mesmo tempo, não acaba de tecer. O paradoxo fotográfico.

 

Pierre Verger – repórter fotográfico. Ângela Luhning. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro. 2004. 248p.

Pierre Fatumbi Verger (1902 - 1996) começou a sua trajetória profissional e de vida como fotógrafo e fotorrepórter. As fotos realizadas durante as suas diversas viagens pelo mundo, a partir de 1932, foram veiculadas através de agências fotográficas e publicadas nas principais revistas fotográficas da época. Ao chegar ao Brasil, em 1946, garantiu a sua permanência no país através de um contrato com a importante revista O Cruzeiro. Este livro traz algumas reportagens inéditas de Verger para O Cruzeiro, feitas a partir de 1957, mostrando imagens mas também usando palavras - reportagens - como expressão. Elas revelam aspectos novos de sua atuação e percepção, especialmente seu crescente interesse pela África.

 

The mind's eye, writings on photography and photographers. Henri Cartier-Bresson. Aperture.

 

 

 

La fotografia como documento social. Gisele Freund. Ed. Gustavo Gili, Madrid. 2002. 208p.

 

 

 

Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. Arlindo Machado, EDUSP. São Paulo, 1993. 301p.

Coletânea de ensaios de Arlindo Machado sobre o tema do papel fundante das tecnologias da eletrônica e da informática na construção da cultura do final do século XX. Machado identifica o q considera os pontos de ruptura definidores de uma cultura das sociedades informatizadas ou baseadas na generalização das máquinas, tanto nas suas expressões hegemônicas, como acontece nos centros avançados do planeta, quanto nas suas expressões marginais (mas não menos importantes), como as que ocorrem nos bolsões qualitativos da periferia.

 

A ilusão especular - introdução à fotografia. Arlindo Machado. Brasiliense, São Paulo. 1984. 162p.

Apesar de parte indissociável de praticamente todas as atividades - profissionais ou recreativas - da vida moderna, sendo merecedora portanto de atenção e estudo, a fotografia ainda não foi totalmente apreendida por um segmento expressivo da intelectualidade, que tem tendência a encará-la com desdenhosa benevolência como uma espécie de prima pobre da pintura. A tarefa a que se propôs Arlindo Machado neste texto é subverter esse estado de coisas e resgatar o verdadeiro papel da fotografia, definindo, analisando e valorizando a especificidade de sua linguagem. (do prefácio de Pedro Vasquez).

 


Fotografia, a poética do banal. Luis Humberto. Editora UNB, Brasília. 2000. 105p.

À fotografia se atribui um pecado original: o fato de ela decorrer de um necessário referente real. Isso tem sido usado para desqualificá-la como possibilidade expressiva. Por outro lado, o reconhecimento de sua natureza fragmentária retira-lhe a confiabilidade como testemunho inequívoco de um acontecimento, pois permite, no ato do registro, a supressão de dados fundamentais, o que comprometeria o seu valor documental. Todavia, essa mesma fragmentação é a origem de um potencial inesgotável para a obtenção de imagens que, pinçadas de uma mesma realidade, podem, por seu poder de síntese, proporcionar visões reveladoras e surpreendentes. São essas as questões: a contigüidade com o real, a fragmentação e a intermediação tecnológicas que, entendidas de modo apressado e primário, conduzem a uma sucessão interminável de equívocos, induzindo a interdição do acesso da fotografia ao universo da criação, no qual ela se inclui de modo especial.

 


Um diário russo. Robert Capa e John Steinbeck. Cosac e Naify, São Paulo. 2003. 278p.

Em 1946, Winston Churchill anunciou que uma "Cortina de Ferro" caíra sobre o Leste Europeu. E, no inverno do ano seguinte, teve início de fato a Guerra Fria. De ardoroso aliado dos EUA na Segunda Guerra, a USSR tornou-se uma presença ameaçadora, um inimigo do qual pouco se sabia. "Todos os dias os jornais, diz John Steinbeck ao iniciar seu texto, "publicavam milhares de palavras a respeito da Rússia", e no entanto, prossegue, "havia muitas coisas por lá sobre as quais ninguém escrevia, e isso era o que nos interessava acima de tudo." Publicado em 1948, Um diário russo, escrito por Steinbeck e ilustrado com fotos de Robert Capa, busca apenas "fazer um relato isento, registrando o que víamos e ouvíamos, sem qualquer comentário editorial, sem extrair conclusões daquilo sobre o qual não tínhamos conhecimento suficiente".

 

O Ato fotográfico. Philippe Dubois. Papirus Editora, 1993. Campinas, SP. 362p.

A foto não é apenas imagem, é, também, um verdadeiro ato, algo que não podemos conceber fora de suas circunstâncias, do jogo que a anima. Uma imagem-ato, compreendendo com isso que esse ato não se limita apenas ao gesto da produção propriamente dita da imagem - o gesto da "tomada" - mas que inclui também sua recepção. Vê-se por aí o quanto esse meio mecânico, ótico-químico ou digital, pretensamente objetivo - do qual muitas vezes se disse no plano filosófico, que se efetuava na ausência do homem - implica a questão do sujeito e, especialmente, do sujeito em processo.

 

Tina Modotti, fotógrafa e revolucionária. Margaret Hooks. José Olympio Editora, 1997. Rio de Janeiro. 306p.

Tina Modotti, 1896-1942, foi uma importante fotógrafa e uma mulher extraordinária. Sua beleza e seus relacionamentos com homens famosos até agora encobriram uma vida ligada aos mais importantes acontecimentos artísticos, políticos e históricos do nosso século. Sua vida está povoada de mitos e lendas. Este livro, baseado em anos de pesquisa no México, Europa e EUA, desvenda o mito que cercou a vida de uma das mulheres mais fascinantes de uma época extraordinária.

 

Ensaios sobre o fotográfico. Luiz Eduardo R. Achutti (org.). SMC/Prefeitura de Porto Alegre. Porto Alegre, 1998. 126p.

Coletânea de artigos organizada para a série "Escrita Fotográfica", da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. Para o organizador, "os vários ensaios deste livro poderiam ser reunidos em três blocos: pelo prisma da história da fotografia, da prática fotográfica e da fotografia como linguagem e suas articulações com o campo das ciências humanas". Contém ensaios de Ricardo Chaves, Etienne Samain, Mauro G. P. Koury, Milton Guran e outros.

 

Poses e Trejeitos. A fotografia e as exposições na era do espetáculo (1839-1889). Maria Inês Turazzi. Rocco/Funarte, 1995. Rio de Janeiro. 309p.

Vivendo hoje sob o império das imagens, quando a vida real e suas várias linguagens se dissolvem em cenas congeladas, já perdemos a memória do que terá sido o fascínio primitivo que as velhas máquinas fotográficas propiciaram aos nossos antepassados. Denominada justamente de "máquina do tempo", a câmera fotográfica realizava o sonho, ilusório, de captura das "poses e trejeitos" de um espaço-tempo que assim mesmo teimava em escapar. A pesquisa que resultou neste livro revela a montagem de um amplo sistema exibicionista, no período 1839-1889, através das grandes exposições internacionais, em que a fotografia ocupou o primeiro plano, entrando desde cedo na constituição dos imaginários locais, nacionais e internacionais.

 

Fotografia e Antropologia, olhares fora-dentro. Rosane de Andrade. Estação Liberdade/EDUC, 2002. São Paulo. 132p.

A fotografia, definida como um sistema de elaboração de realidades, comporta dois processos cruciais, o de construção da imagem fotográfica e o de sua interpretação. A relação do fotógrafo com a realidade tem por moldura a mediação intrínseca de suas crenças, referências e intenções na construção da imagem (fatores, aliás, presentes em toda e qualquer interpretação). Para a autora, "a busca de imagens deixou de ser uma busca de fatos, mas também uma fragmentação desses fatos. Na multiplicidade, as imagens estão cada vez mais se perdendo. Hoje não se sabe onde está o original. Não se tem mais a proximidade com a realidade. Não existe ponto fixo. A realidade é indetectável. As imagens são profecias de uma época e hoje não passam de reflexos em vidros sem ponto de referência".

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